Litígios de Patentes Essenciais no Brasil: O Brasil Como Jurisdição de Nivelamento de Disputas Globais
DOI:
https://doi.org/10.18256/2238-0604.2026.v22i.5389Palavras-chave:
Patentes Essenciais; Litígios de Patentes; Medidas Liminares; Licenciamento FRAND; Acordos Globais de Licenciamento.Resumo
Este artigo sistematiza e analisa empiricamente os litígios envolvendo patentes essenciais a padrões técnicos (standard-essential patents ou SEPs) no Brasil. A pesquisa identificou 61 ações judiciais até maio de 2026: 52 ações de infração propostas por titulares e nove ações declaratórias ou de obrigação de fazer propostas por implementadores. Os resultados mostram forte concentração recente dos litígios, elevada taxa de concessão de medidas liminares entre os pedidos decididos e predominância de acordos globais entre as ações encerradas. Das 52 ações de infração, 37 foram ajuizadas a partir de janeiro de 2025; entre os 26 pedidos liminares decididos, 22 permaneciam vigentes; e 25 das 27 ações concluídas terminaram após a celebração de acordos globais de licenciamento. O artigo sustenta que esses resultados são compatíveis com uma função estratégica da jurisdição brasileira na arquitetura transnacional de licenciamento de SEPs. Embora os tribunais brasileiros decidam formalmente apenas sobre patentes nacionais, medidas capazes de restringir vendas em um mercado relevante podem elevar o custo de permanecer sem licença e, assim, influenciar negociações globais. Essa constatação não demonstra que as medidas brasileiras tenham causado os acordos posteriormente celebrados, nem permite classificá-las uniformemente como resposta ao hold-out ou instrumento de hold-up. A contribuição do estudo está em documentar empiricamente a conexão entre enforcement territorial e negociações globais de licenciamento, demonstrando que o Brasil assumiu uma função de nivelamento de disputas globais.
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