A recepção das obrigações FRAND pelo ordenamento jurídico brasileiro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18256/2238-0604.2026.v22i.5365

Palavras-chave:

Patentes essenciais; FRAND; Negócio jurídico; Boa-fé objetiva; Licenciamento de patentes.

Resumo

As obrigações FRAND (fair, reasonable and non-discriminatory) são compromissos de licenciamento assumidos voluntariamente pelos titulares de patentes essenciais a um padrão tecnológico (Standard-Essential Patents, ou SEPs) perante organizações de padronização. Embora sua eficácia jurídica seja reconhecida por tribunais estrangeiros e o tema já venha sendo enfrentado por cortes brasileiras, tais obrigações não encontram disciplina legislativa específica no direito brasileiro. O presente artigo investiga como o compromisso FRAND é recepcionado pelo direito civil brasileiro. Sustenta-se que, à falta de regramento próprio, a declaração FRAND constitui negócio jurídico válido, cuja interpretação conforme a boa-fé e os usos do mercado lhe assegura caráter irrevogável, ao passo que a boa-fé objetiva e a vedação ao comportamento contraditório operam como limites à conduta do titular. Conclui-se que o direito brasileiro dispõe de instrumental suficiente para conferir eficácia ao compromisso FRAND, ainda que por meio de categorias gerais do direito privado, e não de uma disciplina legislativa específica.

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Biografia do Autor

  • Luiz Henrique O. do Amaral

    Advogado, sócio e membro do conselho e coordenador do Comitê Executivo do Escritório Dannemann Siemsen Advogados e Escritório de Propriedade Industrial Dannemann, Siemsen, Bigler & Ipanema Moreira. Presidente da Association Internationale pour la Protection de la Propriété Intellectuelle (AIPPI) 2020-2022. Presidente da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual (ABPI) 2010-2013. 

  • Natalia Barzilai

    Advogada e sócia do Escritório Dannemann Siemsen Advogados, atua na equipe de Contencioso de Patentes, atua em litígios complexos e multijurisdicionais, incluindo SEPs. Mestre em Direito da Propriedade Intelectual (LL.M) pelo Magister Lvcentinvs da Universidade de Alicante, Espanha. 

  • Ana Luiza Brito

    Advogada no Escritório Dannemann Siemsen Advogados, atua em litígios complexos de patentes, inclusive na maioria das ações relacionados a SEPs no Brasil. Especialista em Propriedade Intelectual pela Pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). 

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Publicado

06-07-2026

Edição

Seção

SEP - FRAND

Como Citar

AMARAL, Luiz Henrique O. do; BARZILAI, Natalia; BRITO, Ana Luiza. A recepção das obrigações FRAND pelo ordenamento jurídico brasileiro. Revista Brasileira de Direito, Passo Fundo, RS, Brasil, v. 22, 2026. DOI: 10.18256/2238-0604.2026.v22i.5365. Disponível em: https://seer.atitus.edu.br/index.php/revistadedireito/article/view/5365. Acesso em: 7 jul. 2026.