Inteligência Artificial, Tecnologias de Reconhecimento de Emoções e o Direito: Importância do princípio da qualidade dos dados como pilar no direito fundamental à proteção de dados

Autores

  • Maria Edelvacy Marinho Doutora em Direito pela Universidade Paris 1, Panthéon Sorbonne, Advogada, Professora na Universidade Presbiteriana Mackenzie, Diretora de Conteúdo do Instituto Liberdade Digital. Orcid- https://orcid.org/0000-0002-6957-3099. [email protected] https://orcid.org/0000-0002-6957-3099
  • Julia Ferrari Oliveira Lima Advogada, Pós-graduanda em Direito Digital UERJ, Bacharel em direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Orcid- https://orcid.org/0000-0002-6957-3098. [email protected]
  • Liziane Paixão Silva Oliveira Centro Universitário de Brasília (CEUB) Universidade Tiradentes (UNIT) Escola Superior da Magistratura de Tocantis (ESMAT) https://orcid.org/0000-0002-6266-6073
  • Diogo Rais Moreira Advogado desde 2004 e Cofundador do Instituto Liberdade Digital. Doutor (2015) e Mestre (2011) em Direito Constitucional pela PUC-SP com bolsa pesquisa pelo projeto do Conselho Nacional de Justiça (CNJ Acadêmico). Professor de Direito Eleitoral, Inovação e Direito Digital da graduação e do Programa de Pós-Graduação, mestrado e doutorado da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). Coordenador dos livros Direito Público Digital; Fake news: a conexão entre a desinformação e o Direito; Direito Eleitoral Digital e Privacidade, mercado e cidadania: uma conexão a partir da IA - todos da editora Revista dos Tribunais. Orcid- https://orcid.org/0000-0002-3956-4714. [email protected] https://orcid.org/0000-0002-3956-4714

DOI:

https://doi.org/10.18256/2238-0604.2024.v20i3.5158

Palavras-chave:

Proteção de dados pessoais, Inteligência Artificial, Tecnologia de reconhecimento de emoções, Direito Constitucional, Direito Digital

Resumo

Por meio de uma pesquisa bibliográfico-documental qualitativa, este artigo analisa as tecnologias de reconhecimento de emoções (ERTs) sob uma ótica jurídica. Analisamos a coleta de tais dados sob o ponto de vista ético, constitucional e legal. Apresentamos o conceito de princípio da qualidade dos dados para explicar as consequências legais do uso indiscriminado de ERTs. A pesquisa revelou que os problemas identificados nas tecnologias de reconhecimento facial em geral são comuns aos das ERTs, porém esta última agrega o desafio advindo da subjetividade no processamento deste dado. Concluímos que como direito fundamental, a proteção de dados emocionais requer uma atenção legislativa específica.

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Biografia do Autor

  • Maria Edelvacy Marinho, Doutora em Direito pela Universidade Paris 1, Panthéon Sorbonne, Advogada, Professora na Universidade Presbiteriana Mackenzie, Diretora de Conteúdo do Instituto Liberdade Digital. Orcid- https://orcid.org/0000-0002-6957-3099. [email protected]
    Doutora em Direito pela Universidade Paris 1, Panthéon Sorbonne, Advogada, Professora na Universidade Presbiteriana Mackenzie,  Diretora de Conteúdo do Instituto Liberdade Digital. Orcid- https://orcid.org/0000-0002-6957-3099. [email protected]
  • Julia Ferrari Oliveira Lima, Advogada, Pós-graduanda em Direito Digital UERJ, Bacharel em direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Orcid- https://orcid.org/0000-0002-6957-3098. [email protected]
    Advogada, Pós-graduanda em Direito Digital UERJ, Bacharel em direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Orcid- https://orcid.org/0000-0002-6957-3098. [email protected]
  • Liziane Paixão Silva Oliveira, Centro Universitário de Brasília (CEUB) Universidade Tiradentes (UNIT) Escola Superior da Magistratura de Tocantis (ESMAT)
    Doutora em Direito Internacional pela Université d’Aix-Marseille III, Mestre em Direito pela Universidade de Brasília, Professora Titular do Programa de Mestrado e Doutorado em Direito do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Professora Colaboradora nos Programas de Mestrado e Doutorado em Direito da Universidade Tiradentes (UNIT) e de Mestrado e Doutorado  Profissional e Interdisciplinar em Prestação Jurisdicional e Direitos Humanos da UFT - ESMAT. Orcid-  https://orcid.org/0000-0002-6266-6073.
  • Diogo Rais Moreira, Advogado desde 2004 e Cofundador do Instituto Liberdade Digital. Doutor (2015) e Mestre (2011) em Direito Constitucional pela PUC-SP com bolsa pesquisa pelo projeto do Conselho Nacional de Justiça (CNJ Acadêmico). Professor de Direito Eleitoral, Inovação e Direito Digital da graduação e do Programa de Pós-Graduação, mestrado e doutorado da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). Coordenador dos livros Direito Público Digital; Fake news: a conexão entre a desinformação e o Direito; Direito Eleitoral Digital e Privacidade, mercado e cidadania: uma conexão a partir da IA - todos da editora Revista dos Tribunais. Orcid- https://orcid.org/0000-0002-3956-4714. [email protected]
    Advogado desde 2004 e Cofundador do Instituto Liberdade Digital. Doutor (2015) e Mestre (2011) em Direito Constitucional pela PUC-SP com bolsa pesquisa pelo projeto do Conselho Nacional de Justiça (CNJ Acadêmico). Professor de Direito Eleitoral, Inovação e Direito Digital da graduação e do Programa de Pós-Graduação, mestrado e doutorado da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). Coordenador dos livros Direito Público Digital; Fake news: a conexão entre a desinformação e o Direito; Direito Eleitoral Digital e Privacidade, mercado e cidadania: uma conexão a partir da IA - todos da editora Revista dos Tribunais. Orcid- https://orcid.org/0000-0002-3956-4714. [email protected]

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Publicado

17-03-2025

Como Citar

MARINHO, Maria Edelvacy; OLIVEIRA LIMA, Julia Ferrari; PAIXÃO SILVA OLIVEIRA, Liziane; MOREIRA, Diogo Rais. Inteligência Artificial, Tecnologias de Reconhecimento de Emoções e o Direito: Importância do princípio da qualidade dos dados como pilar no direito fundamental à proteção de dados. Revista Brasileira de Direito, Passo Fundo, RS, Brasil, v. 20, n. 3, p. e5158, 2025. DOI: 10.18256/2238-0604.2024.v20i3.5158. Disponível em: https://seer.atitus.edu.br/index.php/revistadedireito/article/view/5158. Acesso em: 31 ago. 2025.