Perfil de Homens Autores de Violência Contra a Mulher: Uma Análise Documental

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18256/2175-5027.2018.v10i2.2951

Palavras-chave:

homens, prevenção, punição, violência contra a mulher

Resumo

Objetivou-se, neste estudo, analisar o perfil de homens autores de violência doméstica, a fim de contribuir com estratégias de enfrentamento e de prevenção. Trata-se de uma pesquisa qualitativa de base documental realizada a partir de fichas de atendimento do núcleo pesquisado que se encontra localizado em uma capital da região nordeste do Brasil, reconhecida pelos seus altos índices de violência contra a mulher. Foram analisadas as fichas de 241 homens, abarcando o período de setembro de 2012 a setembro de 2017. Os dados foram submetidos à análise de conteúdo. Os principais resultados corroboram com estudos encontrados na literatura, indicando que, em sua maioria, os homens possuíam vínculo com a agredida, pertenciam a estratos mais pauperizados e praticaram violência física. Além disso, os resultados apontam que o perfil encontrado remete à uma classe estruturalmente criminalizável, demonstrando a seletividade criminal existente em nossa sociedade, a qual incide sobre o estado das relações de poder entre as classes sociais. Os resultados também apontaram aspectos relacionados à culpabilização/responsabilização da mulher pela violência sofrida.

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Biografia do Autor

  • Juliano Beck Scott, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
    Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Doutorando em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
  • Isabel Fernandes de Oliveira, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
    Docente do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

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Publicado

2018-12-11

Edição

Seção

Artigo empírico

Como Citar

Scott, J. B., & de Oliveira, I. F. (2018). Perfil de Homens Autores de Violência Contra a Mulher: Uma Análise Documental. Revista De Psicologia Da IMED, 10(2), 71-88. https://doi.org/10.18256/2175-5027.2018.v10i2.2951