A extração e caracterização da água de poro nos estudos de durabilidade de armaduras de concreto usando técnicas eletroquímicas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18256/2358-6508.2020.v7i1.3359

Palavras-chave:

Água de poro, Armaduras de concreto, Corrosão, Técnicas eletroquímicas

Resumo

A água de poro de compósitos cimentícios hidratados pode fornecer uma grande quantidade de informações sobre aspectos relacionados à sua composição ou sua hidratação. Ainda, sua correta extração e caracterização pode permitir a realização de estudos adequados de durabilidade associados ao compósito ou à armadura metálica, o que pode permitir a economia de recursos e tempo. A extração da água de poro não apresenta procedimento normalizado, porém deve ser realizada com cuidados específicos, e sua composição consiste principalmente de hidróxidos de sódio, potássio e cálcio, o que garante seu elevado pH. Considerando que a água de poro está presente no interior do compósito cimentício hidratado e algumas vezes em contato direto com a armadura, ela deve ser considerada na análise da dinâmica desse sistema. Nesse contexto, o presente artigo apresenta uma breve revisão sobre aspectos relacionados à água de poro (sua extração e caracterização), bem como sobre sua aplicação em estudos de corrosão de armaduras através de técnicas eletroquímicas, uma vez que tal metodologia apresenta relativa facilidade de execução e seus resultados são muito próximos da realidade de armaduras embutidas em concretos.

Biografia do Autor

  • Renan Esposito Vieira, Universidade de São Paulo - Departamento de Engenharia Química
    Mestre em Engenharia Química pela Escola Politécnica da USP, na área de Eletroquímica aplicada aos estudos de Corrosão. Engenheiro Químico, Engenheiro Ambiental, Tecnólogo em Materiais (Metalurgista) e Técnico em Química. Desenvolveu estudos: envolvendo aplicação de escórias siderúrgicas como adição ao cimento Portland; extração e caracterização de água de poro de compósitos cimentícios; técnicas eletroquímicas locais na avaliação de corrosão de armaduras de concreto. Também possui conhecimentos gerais de caracterização microestrutural e mecânica de materiais (metálicos e cerâmicos), tratamentos térmicos, materiais compósitos, bem como assuntos gerais da engenharia química. Assuntos gerais de meio ambiente: conhecimentos gerais de projetos de tratamento de água e efluentes, geologia de engenharia e geoprocessamento em estudos ambientais, logística reversa e ACV, técnicas de reciclagem de materiais, gestão e remediação de áreas contaminadas, gestão integrada de recursos. Atualmente é bolsista de Extensão no País pelo CNPq como Agente Local de Inovação (ALI) do Sebrae-SP.
  • Marina Martins Mennucci, Universidade de São Paulo
    Possui Graduação em Engenharia Civil pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2003), Mestrado em Ciências pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (2006), Doutorado em Ciências pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (2011), e Docteur en Chimie Physique et Chimie Analytique pela Université Pierre et Marie Curie (Paris VI). Fez pós-doutorado em durabilidade de concretos e argamassas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atuando principalmente nos seguintes temas: materiais de construção civil, patologias das construções, metais, corrosão, concreto, durabilidade, inibidor de corrosão, técnicas eletroquímicas e microeletrodo com cavidade.
  • Valdecir Angelo Quarcioni, Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo - Laboratório de Materiais de Construção Civil (LMCC)
    Possui doutorado (2008) e mestrado (1998) pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Pesquisador II do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo - IPT, onde é o chefe do Laboratório de Materiais de Construção Civil, que engloba as áreas de Concreto, Revestimentos, Petrologia e Tecnologia de Rochas, Química de Materiais e Setor de Produção de Areia Normal Brasileira. Atua na área de química de materiais de construção, com ênfase em caracterização de materiais por métodos de análise por via clássica e óptica. Atua com foco em ligantes, adições minerais, argamassas, concreto, durabilidade e reciclagem de materiais em construção civil. Professor do curso de Mestrado Profissional do IPT
  • Hercílio Gomes de Melo, Universidade de São Paulo - Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais
    Possui graduação em Engenharia Química pela Universidade Federal de Pernambuco (1985), mestrado em Engenharia Química pela Universidade de São Paulo (1994), doutorado em Engenharia Química pela Universidade de São Paulo (1999) e doutorado em Eletroquímica - Université Pierre et Marie Curie (1999), e Pós-Doutorado no Centre Inter Universitaire de Recherche et dIngénierie des Matériaux (CIRIMAT) em Toulouse, França (2005-2006). Ingressou no Departamento de Engenharia Química da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP) no ano de 1990 como Auxiliar de Ensino, permanecendo neste Departamento até o final do ano de 2014. Transferiu-se para o Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da EPUSP, onde permanece até o presente. Atua na área de Corrosão e Proteção de Materiais Metálicos, e possui os seguintes interesses de pesquisa: espectroscopia de impedância eletroquímica para estudo de corrosão e proteção, corrosão e proteção do alumínio e de suas ligas, revestimentos ambientalmente amigáveis, aplicação de técnicas eletroquímicas para o estudo da deterioração do patrimônio histórico com ênfase em Cu e bronze, anodização do alumínio, resistência à corrosão de aços de alta resistência e baixa liga, fragilização por hidrogênio. Possui interesse específico na aplicação de técnicas eletroquímicas localizadas para estudo da Corrosão.

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Publicado

2020-12-31

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Artigos