Limitações do uso dos modelos de árvore de classificação na investigação da severidade de acidentes rodoviários

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18256/2358-6508.2019.v6i2.2927

Palavras-chave:

Acidentes rodoviários, Severidade da lesão, Mineração de Dados, Classificação, Árvore de decisão

Resumo

O objetivo deste estudo foi discutir as principais limitações encontradas no processo de classificação da severidade dos acidentes de tráfego, com base em modelos de árvore de decisão (CART). Para atingir este objetivo, a CART foi utilizada na mineração de um banco de dados desbalanceado de acidentes rodoviários, considerando a variável dependente severidade da lesão, a qual foi categorizada em acidentes sem vítimas e com vítimas (fatais e não fatais). Para tanto, foram utilizadas as variáveis associadas às características dos acidentes, à infraestrutura viária e às condições ambientais, com a finalidade de se identificar a influência desses fatores na variação da severidade dos acidentes. Embora a classificação pela CART tenha resultado em uma alta acurácia, a mesma forneceu baixa taxa de acerto na classificação dos acidentes com vítimas, que correspondem às observações mais raras do banco de dados. Além disso, resultou na extração de um elevado número de regras de decisão, considerando o número de categorias das variáveis independentes no processo de predição da variável alvo. Os resultados indicaram que a CART não é eficiente no estudo de efeitos multicausais como os acidentes rodoviários, pois não tem a potencialidade de associação de um vasto número de parâmetros, o que restringe a análise e interpretação dos resultados quanto à estrutura binária da árvore. Ela é indicada, no entanto, para a análise exploratória de bancos de dados, quando se deseja analisar a influência de uma categoria específica de uma variável do banco de dados na ocorrência dos acidentes de tráfego.

Biografia do Autor

  • Maria Lígia Chuerubim, EESC - USP

    Possui graduação em Engenharia Cartográfica pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2006). Mestrado realizado junto ao Programa de Pós- Graduação em Ciências Cartográficas da UNESP (2007-2009). De 2009 a 2010, atuou como Analista de Desenvolvimento Fundiário no Programa Cadastro de Terras e Regularização Fundiária no Brasil realizado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) em parceria com o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (ITESP). De 2010 a 2011 foi Professora de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico no Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) junto à Coordenadoria de Geomática. Desde 2012, é Professora da Faculdade de Engenharia Civil (FECIV) na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), onde se dedica à pesquisas na área das Geociências com ênfase em Geodésia Espacial. Atualmente, é doutoranda junto ao Programa de Engenharia de Transportes da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da Universidade de São Paulo (USP), desenvolvendo sua tese na área de monitoramento geodésico de estruturas. (Texto informado pelo autor)


  • Alan Valejo, Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação - Escola de Engenharia de São Carlos - Univesidade de São Paulo
    Alan Demetrius Baria Valejo é discente de Doutorado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC-USP), São Carlos. Graduou-se em Bacharelado em informática com ênfase em Engenharia de Aplicações Web, pelo ICMC-USP. Obteve o título de Mestre em Ciência da Computação e Matemática Computacional pelo ICMC-USP em 2014. Atua na área de Inteligência Artificial e Aprendizagem de Máquina e tem interesse em problemas relacionados a análise e mineração de redes complexas.
  • Barbara Stolte Bezerra, Faculdade de Engenharia Civil - Universidade Estatual Paulista
    Possui graduação em Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo (1995), mestrado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal da Bahia (2001) e doutorado em Engenharia de Transportes pela Universidade de São Paulo (2007). Foi professora adjunto I da Faculdade de Direito de São Carlos e realizou Pós-doutorado no Departamento de Transportes da EESC/USP 2011. Atualmente é professora Adjunto MS 5.1 do Departamento de Engenharia Civil da FEB/UNESP e do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção (PPGEP) da FE-Bauru, atuando principalmente nas seguintes áreas: engenharia de tráfego, segurança viária, análise custo/benefício de alternativas viárias (projeto geométrico e operação), auditoria de segurança viária (projeto geométrico), modelos de previsão de acidentes, acessibilidade e mobilidade urbana; análise de ciclo de vida de projetos de transportes; análise da viabilidade de materiais alternativos para inserção em projetos de transportes. Bolsista em Produtividade em Pesquisa CNPq - PQ 1D.
  • Irineu da Silva, Departamento de Transportes - Escola de Engenharia de São Carlos - Univesidade de São Paulo
    Possui graduação em Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo (1980), mestrado em Engenharia de Transportes pela Universidade de São Paulo (1986) e doutorado em Geociências pela Ecole Polytechnique Fédérale de Lausanne (1990). Atualmente é Prof. Associado da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Controle de Qualidade nas Medições Geodésicas e Monitoramento de Estruturas.

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Publicado

2019-12-01

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Artigos